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Os5às8 Fórum de discussão - Os5às8
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Rui Vasconcelos

Joined: 15 Jul 2004 Posts: 761 Location: Porto ( Colheita 1940 )
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Posted: Tue Feb 06, 2007 10:24 pm Post subject: O Segredo está na “Massa” ou está no “Molho” ? |
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Ou seja, o “Segredo” está nas UVAS ou está na ADEGA ? Viticultura ou vinicultura ?
Curiosamente, fala-se muito em enólogos, na vinificação, mas fala-se pouco em viticultura, que praticamente é ignorada (salvo distracção minha) nos meios de comunicação ligados ao vinho.
Diz-se que sem boas uvas não se pode fazer bom vinho e isso é uma evidência.
Até que ponto um enólogo (dos mais conceituados) interfere na produção das uvas ? |
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luiz otávio peçanha

Joined: 19 Jan 2005 Posts: 617 Location: piracicaba/sp/brasil
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Posted: Wed Feb 07, 2007 1:00 am Post subject: |
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Caro Rui Vasconcelos,
Acredito que o segredo esteja na conjunção de uma otima massa, com um excelente molho, e a sapiência de um otimo maestro para tirar o melhor de cada um.
Não entendo nada, nem de vinicultura, nem de vinificação, mas na generalidade posso dar alguns exemplos daqui do Brasil.
Até pouco tempo só se plantava uvas em solos faceis, férteis, com baixa denagrem, muitas vezes acabados de desmatar, com troncos e raizes a apodreçer, abria se as covas com alavancas e plantavam as mudas.
Todo este material organico disponivel, aliado a um clima umido, solos encharcados, não era de estranhar que a sanidade das uvas eram comprometidas . se somarmos uma alta precipitação pluviométrica na época da maturação fenólicadá para se ter uma idéia da qualidade das mesmas.
Neste panorama as unicas que vingavam e com exclente produtividade eram as cepas Americanas e as hibridas. Resultado, tome suco de uva ou vinho de garrafão com até 120 g/l de açucar adicionado.
Das poucas uvas Vittis viniferas existentes para a produção de vinhos, podiam no máximo produzir vinhos com alta acidez, baixa concentração de açucares ( e consequentemente a inevitavel chaptalização ), epoca de colheita inadequada ( com a colheita precoce, a fim de evitar o apodrecimento das mesmas, colhidas sem a sua maturação fenólica; sendo uma das causas uma baixa amplitude térmica; sendo a outra o sistema de direcionamento das vinhas, majoritariamente de latadas ).
E tome SO2 para desinfectar tudo isso.
Resultado vinhos magros, sem caracter, docinhos, e um eterno amargor final, que tinha uma ótima persistência, como a dor de cabeça tambem. Vinhos para se embebedar e não para se apreciar, no máximo para tirar a fadiga de um arduo dia de trabalho. Infelizmente ainda resta muito disso.
Dá intervenção de alguns ótimos enólogos, como a visão empreendedora de alguns empresários o panorama começou a mudar.
Pela procura de um terroir adequado a cada uva, como a seleção de cepas adequadas, climatizadas, a propria seleção de portas enxertos.
Cada vez mais vinhedos de altitudes, com maior drenagem, solos mais pobres, maior amplitudes térmicas, e temperaturas medias noturnas na faixa dos 20ºC na época da maturação fenólica, armazenamento de açucares e interrupção do crescimento vegetativo ( já temos vinhedos em 1200 m, sendo a maioria na faixa dos 400 a 800 metros no sul do Brasil ); ou vinhedos de planices inóspitas, com boas amplitudes térmicas, solos pobres e irrigação artificial, propicios para cepas adaptadas ( shiraz e outras ) como na Campanha Gaúcha e o Semi arido Nordestino.
A intervenção de enólogos ou consultores que simplesmente mandaram derrubar todas as vinhas de latadas e a sua substituição por sitema de Y e espaldeiras.
Uma maior sanidade das uvas e consequentemente uma menor aplicação de calda bordalesa, e uma menor absorção de calcio pelas uvas, e uma menor salinificação dos seus acidos ( maior estrutura para envelhecimento).
Uma diminuição drástica dos niveis de produtividade das vinhas, passando dos 15 toneladas/hectares, para 10 nos vinhos mais comerciais, 7 para vinhos de melhor categorias ( através de poda seca e poda verde ).
Na vinicultura os avanços são ainda maiores, onde os tanques de aço inox com temperaturas controladas dominam o cenário; maceração controlada, malolática e estágios adequados a cada cepa; mas é tambem aonde ainda precisamos apreender com o tempo. Não temos históricos ainda para tirar grandes deduções. Qual perfil queremos, oque estamos e estaremos mais aptos a produzir? Conseguimos produzir vinho bom em safra ruim? Só o tempo dirá.
Para isso as inumeras vinicolas que hoje surgem ( grandes ou pequenas ) é que terão que achar o caminho, que leva e é condicionada inoxeravelmente ao sucesso comercial.
As mudanças climáticas tambem seram preponderantes nas próximas decadas.
Estamos a dar os primeiros passos e o horizonte é promissor nos próximos 10/20 anos.
Muitos de voces talvez estejam supresos com estas previsões, e eu não sou nem um pouquinho ufanista; talvez não concretizem, mas as chances são grandes.
Não temos ainda nenhuma grande massa e nenhum grande molho, consequentemente nenhum grande prato, mas estamos trabalhando para isso, quem sabe não fazemos igual ao DOM e em alguns anos, com humildade e muito trabalho, aprendendo sempre, consigamos ser o rabo do leão.
Rui Vasconcelos, desculpe a divagação, mas pode ter alguma coisa a ver.
Saudações
Luiz Otávio _________________ De vinho em vinho vamos aprendendo um pouquinho. |
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