As marcas chapéu-de-chuva
O conceito teórico é claro e intuitivo, e a provocação, essa… é quase irresistível! Quem tem uma marca sonante, um nome prestigiado, reconhecido e com bom valor de mercado, sofre periodicamente com a tentação de rentabilizar esse capital, com a comic
hão de rentabilizar um nome.
No mundo do vinho, tal como em todas as áreas da economia real, essa tentação é palpável e verificável no dia a dia das empresas. Afinal, com os custos, perigos e incertezas de estabelecer uma nova marca, porque não socorrer-se do prestígio de um nome feito para lançar uma marca nova, um rótulo novo, um vinho novo? A estratégia parece infalível e tem ganho novos adeptos ao longo dos últimos anos.
Porém, e há sempre um “mas” em todas as premissas, para que a estratégia possa funcionar, tal como qualquer aluno de marketing o pode afiançar, é compulsivo que os produtos a vender, tenham qualidade similar. Quem decidir utilizar tal estratégia para lançar um vinho de qualidade inferior, sob a sombra protectora do vinho prestigiado, arrisca-se a banalizar e destruir o nome dos dois vinhos.
Por isso me faz tanta confusão ver uma referência nacional como o Muralhas de Monção ser agora banalizado por um vinho rosado que ostenta o mesmo nome, acompanhado por um vinho espumante que também dá pelo título de Muralhas de Monção. Seria um golpe de génio da Adega Cooperativa de Monção se as duas novas referências estivessem no mesmo patamar qualitativo do Muralhas de Monção… mas, infelizmente, não estão!

Nuno Oliveira Garcia
July 26, 2009 at 13:26Rui,
(Só) Talvez o facto dos rótulos (e do formato das botelhas, parece-me) não serem iguais, dificute a «associação» entre um bom produto vinícola e duas experiências menos bem sucessidas…
Ab.
NOG
Miguel
July 28, 2009 at 12:39Caro Rui,
Provei o rose e não me pareceu assim tão mau. Furos abaixo do branco mas agradável.
Abraço
Marco Carvalho
July 28, 2009 at 17:24Caro Rui Falcão, neste caso não sei se terá sido a estratégia de marketing a falhar. Se o rosé não está ao nível do “verdadeiro” Muralhas, talvez seja uma falha qualitativa do produto. A estratégia era boa, mas tal como diz, se o produto não corresponde mais valia adoptar outra marca para o novo produto. É um erro comum a muitos produtores. A estratégia pode levar a uma implementação mais fácil e rentável do produto, mas muitas das vezes não compensa o risco.
Será que a estratégia foi pensada e implementada antes de se saber o real valor do novo produto ? É uma falha apesar de tudo (isto confiando na análise qualitativa que o Rui faz dos vinhos em questão).