Paixão, paixão e mais paixão, esta é a palavra indispensável no léxico do vinho e da gastronomia, o substantivo mais reiterado, mencionado em cada intervenção, repetido até à exaustão cada vez que se conversa sobre o vinho e os seus protagonistas, sejam eles o produtor, o enólogo, o viticultor ou o próprio autor da crónica, quando se refere ao seu amor pelo vinho.

A paixão é óptima e mais que desejável. A paixão move mundos e incendeia a alma, solta a imaginação, é poderosa e arrebatadora. Num mundo perfeito a paixão deveria estar patente em todas as actividades a que nos dedicamos, intelectuais ou práticas, pessoais ou académicas, na actividade profissional ou nos interesses que abraçamos nos tempos livres. Mais que um chavão gasto que mencionamos a todo o instante a paixão deveria ser uma convicção.

A paixão, porém, apesar de obrigatória, como em todos os cometimentos da vida, não é suficiente para sustentar um negócio. Os dois únicos mundos que se alimentam da paixão, por si só, e que em muitos casos não é mais que um subterfúgio para a palavra ego, são o vinho e a restauração, onde é raro encontrar uma postura séria na procura de conhecimento e onde palavras pesadas como trabalho, investigação ou suor costumam ficar esquecidas em prol da poesia da paixão platónica. Até porque a paixão costuma ser passageira, entendida como um sentimento doloroso e patológico, capaz de nos fazer perder a identidade e o poder de raciocício.

Paixão, sim, é um sentimento indispensável e, felizmente, costuma estar presente de forma eloquente no vinho… mas não é, de todo, suficiente. Desengane-se quem pensa que a paixão é tudo e que o trabalho e o conhecimento são simples acessórios a acrescentar à contínua evocação da palavra paixão.

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6 Responses to “Paixão?”

  1. avatar Hugo Mendes says:

    Referênciado para post de 2012.
    Gostei muito. parabéns.

  2. avatar ricardo says:

    Caro Rui,
    para quando disponibilizar o artigo completo através do feed rss?

  3. avatar Rui Falcão says:

    Hugo, muito obrigado.
    Ricardo, obrigado, nem sequer me tinha apercebido de não proporcionar o artigo completo no feed. Vou tentar perceber quais as vantagens e desvantagens de cada opção.
     

  4. avatar Valéria Zeferino says:

    Sem dúvida, Rui. Paixão é o que nós move,é a razão de agirmos. Com o veículo indispensável – conhecimento, dedicação e trabalho – alimenta-se a paixão e torna-se em algum mais persistente – o amor. Neste caso ao vinho.
    Um comercial de vinhos fala dos vinhos como de um produto, um enólogo, por exemplo, fala dos seus vinhos como de um filho, com paixão, amor e até uma certa dose de ternura. É contagiante.

  5. avatar ricardo says:

    Rui,
    explico o porquê do meu pedido, eu leio os blogs sempre através do feed num leitor de feeds, como o Google Reader.
    E quando quero comentar venho ao blog.
    Obrigado.

  6. avatar Salvador says:

    Gosto muito de ler e aprender com o que escreve. Começei à pouco dias a escrever um blog, exactamente por Paixão pelo vinho, não por conhecimento (que não tenho).
    Gostava, se tivesse tempo, que desse uma vista de olhos. É o mundo do vinho visto da minha perspectiva.
    http://maniadovinho.blogspot.com/
    um abraço
    Salvador

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